Quantos pins tem o seu mapa?

11-05-17

Qual o critério você utiliza para considerar um país já conhecido por você? Qual o seu maior interesse? Conhecer lugares ou fazer check in em países diferentes?

Eu fiz 02 conexões em Tokio, ambas bem demoradas, certamente se eu tivesse me programado melhor, faria um stopover e estenderia o período, mas eu não tinha a documentação nem o dinheiro necessário para isso. Fiz check in no aeroporto, postando uma foto de um aviso relacionado ao Brasil. Várias pessoas comentaram que eu já conhecia o Japão.

12-05-17
Não, gente! Pera aí! Eu conheço apenas o aeroporto de Tokio! Tem pessoas que fazem check in em uma conexão e já consideram como o país um local já “desbravado”. Colocam o pin no mapa e vão pra próxima conexão. Na verdade eu não me sinto confortável nem de dizer que eu conheço um país, se eu não conhecer pelo menos 50% dos Estados dele.

Eu tenho uma parede branca em cima da minha cama, reservada para um mapa daqueles de pins, mas eu ainda não encontrei um que tivesse todos os Estados de cada país (inclusive se alguém souber, agradeço). Eu não acho legal conhecer o Rio de Janeiro e São Paulo e marcar o Brasil inteiro.

Não é simplesmente pela questão de marcar ou não, mas eu vejo o mapa como uma ferramenta que me mostra o que eu conheço e o que eu ainda posso conhecer, qual roteiro melhor se encaixa para eu conseguir conhecer outros lugares na minha próxima viagem, que região ainda não conheci dentro de um determinado país.

Todos nós temos sede de desbravar o mundo, mas não vale a pena fazer uma Eurotrip de 7 dias e pisar em 3 países. Porque isso é literalmente pisar. Entendo que muitas vezes o tempo e a grana são curtas, então opte por outro roteiro que te dê mais possibilidade de efetivamente conhecer, curtir os lugares por onde passar e deixe a Eurotrip pra quando você tiver um mês disponível.

Viajar não é chegar, postar uma foto no Starbucks, fazer um check in e correr pro próximo destino. É conhecer o povo local, a cultura, entender como aquela região funciona, descobrir lugares que poucos conhecem, viver o lugar, pra que ele não fique apenas na foto, mas no seu coração. Isso vale muito mais que pins colocados aleatoriamente.

Programe-se para conhecer lugares, pessoas, comidas, bebidas, costumes e não apenas dizer que esteve por lá. Deixe o destino fazer alguma diferença em você e faça nele também! Continue lendo “Quantos pins tem o seu mapa?”

Conheça a sua casa

Comparação territorial
Comparação territorial dos Estados brasileiros com outros países

 

Precisamos conhecer nossa casa para bater na porta do vizinho.
Pra quem não pensa a respeito desse assunto,  pode parecer um pouco irrelevante, mas se sente a importância dele quando estamos vivenciando outras culturas.

Longe de mim discutir política, mas desde que Cabral ancorou aqui, o Brasil é divulgado para o mundo como país tropical, de samba, oba oba e prostituição. É prejudicial, é feio, mas é o que basicamente movimenta o turismo no nosso país desde os primórdios.

No mundo ideal, se o poder público focasse na divulgação da nossa cultura e tantas belezas naturais, conseguiríamos aumentar tanto a quantidade, quanto a qualidade do turista que recebemos aqui, talvez também expandindo as opções de atrativos, visto que a imagem do Brasil se limita em Amazônia (selva), Rio de Janeiro (samba), Nordeste (praias) e Sul (serra e cataratas). Ué! Cadê o oba oba e a prostituição? No momento em que você desembarca em qualquer aeroporto do país!

 

Chapada das Mesas
Chapada das Mesas, MA

 

O Turismo não se limita apenas à imagem do país no exterior, mas há de se pensar no mercado que é movimentado internamente e o que efetivamente poderia ser movimentado e está parado, desconhecido.
Nós somos o 5° maior país do mundo, com 8.515.767,049 km² de território. Não é possível que haja alguém nesse mundo que não se interesse por um kilometrozinho desses!

 

Nobres
Nobres, MT

 

Independente de possuir ou não um plano de Turismo efetivo, nós somos a maior propaganda do Brasil para o mundo. E digo mais: já temos um ponto positivo! Dentre inúmeras pesquisas realizadas ao longo dos anos, o povo brasileiro sempre é apontado entre os 10 mais simpáticos e acolhedores desse mundão de meu Deus. Em 2011, ficamos em 1° lugar no ranking!

Portanto, amigão, se você não for uma pessoa desagradável, mau humorada, egoísta ou desonesta, tenha certeza de que será muito bem recebido na maioria dos lugares que deseja visitar (obviamente sempre haverá exceções, mas a gente leva de experiência).

Todos nós somos condutores de cultura e experiências, assim como nos enriquecemos com pequenas conversas ao longo da nossa trajetória, temos que pensar em enriquecer quem está ao nosso redor também; valorizar essa troca.

 

Cambará do Sul
Cambará do Sul, RS

 

Se um gringo fala para você que não tem interesse no Brasil porque não curte praia ou odeia samba, você vai se calar, ou vai apresentar outras alternativas a ele?
Nós temos serra, chapada, grutas, sitios arqueológicos. Nós temos MPB, forró, pop, rock, bossa. Nós temos tudo!

Se você não conhece esse nosso tudo, mude o seu foco para dentro. Nós temos incontáveis destinos encantadores, que por muitas vezes não tem nem divulgação interna, mas sempre tem uma tiazinha te esperando de braços abertos, com um PF caseiro e muitas histórias para compartilhar.

Antes de sair para ver o novo, conheça o que você tem em casa! Eu garanto que não será nem um pouco sacrificante!

 

Piranhas
Piranhas, AL

 

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A minha bagagem

Bagagem da Carol

Meu nome é Carolina, mas prefiro ser chamada de Carol, nem precisa de intimidade para isso, na verdade eu prefiro Carol mesmo. Nasci no Rio de Janeiro, mas minha família materna é do Rio Grande do Sul. Me mudei por diversas vezes na minha infância em virtude da vida nômade dos meus pais. Sempre vivi viajando. Inconscientemente isso me gerou uma facilidade natural às mudanças radicais e também me ajudou a me relacionar com as pessoas.

Antes de trabalhar, ainda na escola, eu não comia merenda, ia e voltava a pé, para economizar todo o dinheiro que eu tinha, além da minha mesada, para conseguir viajar nos feriados, finais de semana e recessos que eu inventava pros meus pais e eles só descobriam depois que chegava uma advertência (quando eu mesma não assinava). Mesmo na minha última recuperação, sem tempo para estudar, consegui um emprego temporário, contra a vontade deles, só para garantir o dinheiro pra minha viagem de Carnaval. Dos meus 15 anos até hoje, quase nada mudou.

Quando finalmente passei raspando naquela recuperação, eis que veio a dúvida na minha cabeça: E agora? Ninguém mais decide o que eu vou estudar ou não! Eu nunca gostei de estudar, poderia ao menos nesse momento da minha vida escolher algo que me interessasse e modificar essa minha visão de que 70% do que eu havia aprendido não serviria para nada. Mas o que? O que eu gosto de fazer? Eu só trabalho para poder sair e viajar… Viajar… É isso! Vou fazer Turismo!

No primeiro dia de faculdade foi perguntado para todos os alunos da sala por que escolheram fazer Turismo. Eu respondi porque eu gostava de viajar. Não me senti bem com aquela resposta, porque isso é tão superficial. Um proctologista então, gosta de que? Um coveiro, uma pessoa que estuda a vera pra passar num concurso para trabalhar no IML… Me senti um pouco mais confortável quando não me julgaram, porque mais da metade da turma respondeu exatamente a mesma coisa, mas ao final, o professor indagou: Gente! Quem não gosta de viajar? Obviamente gostar de viajar é a obrigação de vocês, mas não pensem que ao se formarem, vão pegar uma mochilinha e sair por aí explorando o mundo! Pensem que vocês vão trabalhar para quem faz isso. Inclusive aos finais de semana e feriados!

Aquele primeiro baque aos meus 18 anos foi quase que certeiro para eu desistir da carreira e pensar em algo rentável, como Medicina ou Direito, mas além de não ter grana pra bancar uma faculdade dessas, eu realmente não tinha interesse nenhum. Sempre amei animais e a minha segunda opção seria veterinária, mas infelizmente também não era pra mim. Admiro muito quem consegue, mas eu desmaiaria no primeiro sangue que eu visse e desistiria no primeiro artigo que eu tivesse que decorar. Acho que só não sou católica porque a Bíblia é muito grande….
Naquele momento confesso que resolvi ficar porque eu já havia pago o semestre (com desconto de comerciária), não tinha nada mais interessante em mente e não queria ouvir mimimi de “Carol é imatura, irresponsável, muito fogo de palha! Mal entrou e já desistiu!”. Assim eu aturei Estatística I e II, Administração, com um professor que era um carrasco, mas descobri tantas matérias encantadoras, tantas pessoas realizadas em seu trabalho, um leque enorme de opções se abriu a minha frente e eu me apaixonei. Paixão é exatamente isso: você passar por cima ou nem enxergar os defeitos do outro, porque as qualidades no momento são muito maiores. Eu passei por diversas matérias que eu considerava entediantes e difíceis quase que sem sentir e, no final me acrescentaram. Estagiei em operadoras, agências e hotéis e pude conhecer pessoas que não gostavam de viajar. Também pude escolher o que eu não queria para o meu futuro.

Ao entregar minha monografia, me dei conta que a minha resposta do primeiro dia não havia modificado. Eu apenas conseguia respondê-la com mas propriedade. Eu escolhi aquela profissão porque eu realmente amava viajar. Não apenas conhecer lugares, mas pessoas, culturas, conversar sobre experiências. Eu realmente não poderia ir para um caminho diferente.

De lá pra cá, eu também constatei que vida de Turismólogo (quase ninguém conhece essa palavra) não são ferias. Você realmente trabalha muito, dependendo do ramo e da empresa, se você não tiver controle, você perde a sua vida pessoal para se dedicar no profissional. Em contrapartida, eu ouvi histórias, vi e participei de sonhos realizados, pude desfrutar de diversas mordomias nos meus momentos de descanso e cresci muito como profissional do meio.

Quando eu completei oito anos de profissão, minha vida deu uma reviravolta. Eu me mudei novamente, meu casamento acabou e eu decidi sair do emprego em que eu estava estabilizada há 3 anos para realizar meu sonho de fazer um intercâmbio. Como eu estava trabalhando com Turismo nacional há muito tempo, meu Inglês tinha ido por água abaixo e aquele momento era meu. Há muitos anos, eu não me via sozinha e independente, por isso resolvi vender tudo o que eu tinha e partir para a África do Sul, fazer um intercâmbio por conta própria.

Durante todos esses anos, eu sempre utilizei minhas viagens para refletir, pensar na vida, mesmo que fosse um final de semana na cachoeira ao lado de casa. Sempre tive muito a compartilhar em relação à experiências e “pensamentos de viagem”, mas essa viagem realmente mudou a minha vida, me mudou como pessoa, eu sinto que cresci 40 anos em 4 meses. Ela que me impulsionou a criar o blog (com a pressão de outras pessoas em volta também). O intuito do Bagagem da Carol é contar as experiências e o meu ponto de vista sobre as vivências de viagens, sem ordem cronológica, apenas sentimental. Obviamente, quem quiser dicas sobre os destinos, eu vou compartilhar, porque não sou egoísta, mas não tenho vontade de seguir o “molde padrão sociedade”. Aproveito para frisar que o blog é pessoal e nele consta o meu ponto de vista. Não tenho papas na língua, sou super aberta à discussões saudáveis, mas não tenho paciência nem tempo para mimimi.

Esse é o blog. Essa sou eu.